O que importa em seu trabalho: fazer o que gosta ou gostar do que faz?

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O quanto é preciso investir para você fazer o que gosta em seu trabalho? 

 Por Sandra Tornieri (*)

Alguns profissionais bem posicionados queimam etapas e já começam direto com o plano principal, mas geralmente possuem muita autodeterminação, apoio dos familiares e amigos para isso. Mas, de modo geral, e para a maioria das pessoas, a realidade é outra. Dentro da jornada para alcançar a carreira empreendedora às vezes é necessário gostar do que faz primeiro, para depois fazer o que gosta. Ou seja, traçar um plano “B” ou até “C” antes de atingir o plano “A”.

Quais então seriam os passos ou etapas para se fazer o que gosta e atingir a carreira empreendedora saudável?

Há aquela pessoa que simplesmente se contentará em gostar do que faz. Todo ser humano possui a capacidade de adaptação, uns mais e outros menos. A partir dessa adaptação cria-se uma zona de conforto temporária. O perigo é quando essa situação se transforma numa acomodação permanente e perdura para o resto da vida.

Somente uma ambição maior ou um plano “A” pode tirar a pessoa desse estado de inércia. Outro fator que pode tirar a pessoa da zona de conforto é a zona de desconforto, gerada pelo vazio interior de se estar fazendo o que não gosta. Ao que tudo indica, a incoerência ou a falta de respeito com os próprios valores ou anseios é responsável pela insatisfação ou pela zona de desconforto. Esse quadro pode gerar estresse, uma espécie de melancolia e até provocar depressão.

Então como sair dessa situação? Parece que não há outra saída a não ser enfrentar o desconforto e se perguntar: o que realmente gosto de fazer? A autora Denise Damiani expõe essas perguntas em seu livro “Ganhar +, Gastar – e investir: o livro do dinheiro para mulheres”, de uma forma muito prática. Para que você consiga de fato atingir seu objetivo, ou seja, fazer o que gosta é preciso que aja convergência nessas respostas:

  1. Eu gosto de fazer?
  2. Eu faço bem?
  3. O mundo precisa?
  4. O mundo paga?

Parte de seu problema pode ser solucionado ao responder essas perguntas. A partir daí você percorrerá um caminho coerente. Ninguém está dizendo que será fácil e nem impossível. Tudo irá depender do quanto estará disposto ou disposta a iniciar nessa jornada.

Para responder a primeira pergunta: “o que eu gosto de fazer?” você estará lidando com o que chamo de a primeira competência empreendedora – o autoconhecimento. Essa competência é essencial para qualquer pessoa que queira mudar para melhor. Para começar é bem produtivo fazer aquelas listas de pontos fortes, pontos fracos e também do que está faltando. Para essa fase recomento o livro “Descubra seus pontos fortes” – dos autores Buckingham e Clifiton.

A partir desse quadro geral sobre si mesmo, liste o que você gosta de fazer e o que não gosta. Pode ser tanto do ponto de vista de trabalho profissional, doméstico ou lazer. Com essa lista você poderá extrair o que procura, ou seja, o que mais gosta de fazer. Aquilo que traz maior motivação, brilho em seus olhos e sentido à sua vida.

Quando você descobrir um objetivo claro ou onde quer chegar, será necessário investir na sua competência ou CHA – conhecimento, habilidade e atitude (experiência) para fazer cada vez melhor aquilo que descobriu que gosta de fazer. Afinal, a segunda questão precisa fazer sentido: você faz bem o que gosta?

Há algum tempo descobri que o que eu mais gosto de fazer é ler, estudar, escrever, dar aulas e orientar a carreira, ou seja, ajudar as pessoas a fazer o que gostam. Com a nova realidade do mundo digital percebi que para continuar a fazer o que gosto teria que me atualizar, ou seja, criar um blog, criar cursos EAD e um canal no YouTube.

Criei o blog e comecei a escrever sobre os temas que vivencio nos atendimentos de coaching e orientações de carreira. Parecia tão simples iniciar um canal, mas por que eu estava demorando tanto para realizar esse objetivo? Não tinha muita lógica, pois minha experiência de 15 anos como docente presencial e inúmeras aulas EAD que havia ministrado em instituições de ensino me davam gabarito para tal.

Depois de vários ensaios e de assistir diversos canais, finalmente criei coragem de publicar um vídeo e inaugurar meu canal “Carreira Empreendedora” no YouTube. Michelly Ribeiro, jornalista, amiga e parceira de negócio na RHF – Talentos, ajudou muito quando deu a seguinte dica: “seja natural”. Ela possui um canal chamado “Comunicação Assertiva”. Assisti seus vídeos e compreendi o que ela estava querendo dizer.

Mas antes de chegar nesse ponto, passei por um processo de verdadeira reavaliação de minha identidade pessoal e profissional. Com o exercício de me apresentar num canal, criado por mim mesma, percebi que iria enfrentar e testar a autoconfiança, o autoconceito e a autoestima. E foi o que aconteceu. Tive que rever meus valores, conquistas, metas e ver onde deveria melhorar para me sentir bem comigo mesma. Nesse sentido recomendo a todo profissional que tenha algo de útil para compartilhar que tome coragem e crie seu canal. Um canal de comunicação com o mundo. Isso pode parecer um pouco assustador para quem é da geração “X” como eu, mas depois de passar pelo processo inicial tudo irá fluir melhor.

Agora sei que sou capaz e posso ajudar outras pessoas a se motivarem para ultrapassar esse gargalo. Gostei muito e no fundo já sabia que iria gostar. Foi isso que me motivou desde o início. Agora meu próximo desafio é manter esse canal sempre atualizado e melhorar a forma de expor as ideias. Os posts do blog serão o ponto de partida e de aprofundamento dos conteúdos do canal e vice-versa. Um aprendizado alimentando outro aprendizado e novas experiências.

Com base na experiência que passei e estou passando, na próxima semana irei tratar de aprofundar a questão: como construir a autoimagem, o autoconceito, a autoestima e a autoconfiança? E antes que eu me esqueça, convido você para assistir, comentar e se inscrever no canal “Carreira Empreendedora”.

 

Referências bibliográficas:

DAMIANI, Denise & ALMEIDA, Cynthia. Ganhar +, Gastar -, Investir – O livro do dinheiro para mulheres; Rio de Janeiro: Sextante, 2016.

BUCKINGHAM, Marcus & CLIFTON, Donald. Descubra seus Pontos Fortes. 270 p.; Rio de Janeiro; Sextante; 2008.

(*) Sandra Torneiri, Coach e Gestora de Recursos Humanos na RHF – Talentos. Docente (graduação e pós-graduação) na UNIOESTE – Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Mestre em Administração Estratégica pela UFPR.

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